Vida

A meio de uma conversa, descontraída à hora do café, depois do almoço, surge uma frase, daqueles que encerram uma conversa...a vida é feita de aparências.
E fiquei pensativa...porque na verdade (e nos que o digamos) estou extremamente de acordo.
E mais todos nos vivemos de aparências, e infelizmente é só assim que muitos relacionamentos se vai mantendo. Não se diz isto, não se faz aquilo para parecer bem, para que se entendam. Lutar por verdades, por mostrar o que somos e como somos, não, não vale a pena.
E pronto, temos de saber viver com as aparências. E eu estou a aprender bem, e não gosto, sinto-me a desligar.
Estou cansada, desta vida assim, cansada de sofrer, quero dançar, ver a lua. Não gasto mais palavras, não posso maltratar o coração.

Cansaço

Não era bom que as pessoas não tivessem filtros? Era dizer o que viesse a mente, podia ser que aliviasse o que se sente.
Mas não, é sempre prudente pensar antes de agir.
Vivemos em função dos estereótipos do correcto.
Vejo tudo a andar, o mundo não parou...tic-tac, o dia corre, tic-tac, o tempo não funciona a meio-gás.
Parar para chorar para dar atenção ao que sinto? Acorda, o mundo não para!
E se estiveres a chorar uma certeza podes ter, ninguém olhou, nem por uma frincha para ti.
Porque e que as pessoas que nos fazem melhor também são as que nos fazem pior?
Vivo num mundo feito de cinismo, feito de mentira e omissões conscientes,sentidas e propositadas.
E se também fico assim? Há algum problema?
Espero ficar, ter as minhas defesas. E lá está o velho dito "o que não nos mata torna-nos mais fortes".
Vem sentar-te a minha frente....e diz-me o que pensas de mim. Cuidado não reajas a quente. Afinal quero alguns filtros...
Enfim, e é isto o dia-a-dia, recuos e avanços, voltar como se nada fosse.
E a rotina continua, não quero mais ler-te, nem desvendar nenhum mistério, o teu silencio pode ser um ponto final. Estou sempre a começar a ler um romance mas não saio do prefacio.
E é este o enredo: viver rodeada de imperfeições (sendo eu uma também)...crescer dia-a-dia, cair, levantar, voltar ao mesmo lugar, ficar no ar, cair desmaiada sem forças e aprender a ser mais forte!

Morri um pouco, mas ressuscitei, vivi outra vez.

Sentindo as palavras

"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contacto tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Balançar

"Pedes-me um tempo,
para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair..

Pedes-me um sonho,
para fazer de chão.
Mas eu desses não tenho,
só dos de voar.

Agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração...

Pedes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes,
quando falha o chão,
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos.

Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar.

E agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração."

Porque há momentos em que o coração balança...
...balança até cair e quebrar laços.

Existências

Sou fácil de chorar, difícil de não perdoar…fácil de sorriso, difícil de me entregar.
Tenho medo de me sentir abandonada, e necessito de afectos.
E nesta época de morte e ressurreição, de dualidade de sentimentos, pus-me a pensar…
Pensei naqueles assuntos batidos, naquelas perguntas que se tornam banais…o que é a fé? Para que existe? Será que eu sou crente em alguma coisa?
E só consigo chegar a um segmento de pensamentos ainda que um pouco delineados, cada vez se tornam mais marcados…
A morte é o fim, para mim, fim na sua plenitude.
Se durante a nossa existência acreditarmos em algumas coisas que nos dêem sentido a existência, então é nisso que devemos acreditar.
Se queremos pensar que a morte não é um fim, para ficarmos menos atormentados, então é nisso que devemos acreditar.
Se acreditarmos na existência do pecado e isso for um vinculo para sermos melhores, como cidadãos do mundo, com valores, pensando, não posso fazer isto ou aquilo porque é errado, porque é um pecado então é nisso que acredito…
Pouco importa se existe pecado ou não, se pensando que sim é uma maneira de controlar guerras, desavenças…e fazer paz.
Pouco importa o que chamem ao Ser em que acreditem, se esse Ser for o mentor de tudo o que for bom e suavizar a existência.
E podes continuar a caminhar a meu lado, mesmo sem falar comigo.

Tudo muda

Pensei...sim pensei muito, e estou contente. Tens razão já não te ligo tanto, e a ti também não, e digo-te sem receios, e que bom que é.
Sempre fui independente em muita coisa, mas quanto as relações afectivas, às amizades, sempre fui muito dependente. Não que seja mau, porque não o considerava, mas com o passar do tempo, com as distancias que surgiam comecei a sentir que não me trazia serenidade.
Foi complicado, exigia sempre mais, e queria receber o que dava... Comecei a sentir que nem sempre estamos a caminhar para o mesmo lado e que não devo exigir o que dou. Mas com o tempo, com o passar do tempo, que corre e não para, os sentimentos vão esmorecendo e o que era imutável muda. Acabo por perceber a dita frase " Tudo na vida muda, tudo tem o seu avesso".
Não mudou os afectos, mas tornou-os mais leves (à passagem do tempo,das rotinas, das ausências). Estão leves mas não são voláteis.

Valores(?)

Será que os valores presentes e incutidos nas pessoas mudaram? Ou sou eu que ando confusa e não acompanhei a mudança? É geral?
Agora mentir...é trivial (é como uma problema matemático em que obtemos uma solução trivial que de trivial não costuma ter nada).
Banalizamos o razoável por pequenas e meras coisas...mas quem mente, mente, seja por algo insignificante ou por algo grandioso.
E dizem-me "habitua-te que ao longo da tua vida, as pessoas vão ser assim contigo, já não existe verdade".
Se é assim é, eu vou-me habituar. Não há melhor maneira que ir batendo com a cabeça.
E é assim o novo mundo sem valores.