A época natalícia ainda agora acabou e já me apetecia sentir o cheiro da consoada de novo. O dia passado entre risadas e brincadeiras familiares...
Todos à molhada dentro da cozinha, o dia é passado a fazer os docinhos (todos típicos)...a lambuzarmos-nos, a ver quem fica com a colher de pau para lamber ou com o tupperware, e a reclamar para não se usar o Salazar para ficar mais restinhos.
Gosto de repetir todos os anos os mesmos hábitos, o decorar da árvore, o presépio, o musgo...o abrir das prendas todos a meia-noite.
O dia onde os cepos de lenha são enormes e a luz da lareira ilumina e aquece de uma forma tão acolhedora.
E é assim, há épocas que valem pela vida.
O tempo desfaz-se
O tempo desfaz-se em vontades, em rotinas, em projectos, em verdades, em mentiras...
O tempo desfaz-se em sentimentos, em afectos, em desgostos. Desgostos silenciosos que se alastram, e andam de mão dada sem se falarem.
Já não somos o que queríamos, já não sou o que queria.
O tempo desfez a espontaneidade que é a moda enquanto crianças.
Desfez em pedaços, em lágrimas, em sorrisos em fugas e regressos.
A verdade, a confiança fugiu, as exigências não são as de criança.
Não são tão triviais como quando se partilhava uma brincadeira e já se era cúmplice.
Desfaz-se em vontades, em retratos...
O que restará sempre é a mesma noite, o mesmo copo, a mesma sede.
Num fim de festa, todos saberemos quem somos, mas por vezes mais vale nem lembrar...e perdemo-nos noutro sonho.
Quase que fomos o que queriamos.
Quase que somos o que queremos.
Quase que fugiamos mas voltamos.
Tudo se tem de abraçar e agarrar, vamos aprender a existir, a ver o sol nasçer.
O tempo desfaz-se em sentimentos, em afectos, em desgostos. Desgostos silenciosos que se alastram, e andam de mão dada sem se falarem.
Já não somos o que queríamos, já não sou o que queria.
O tempo desfez a espontaneidade que é a moda enquanto crianças.
Desfez em pedaços, em lágrimas, em sorrisos em fugas e regressos.
A verdade, a confiança fugiu, as exigências não são as de criança.
Não são tão triviais como quando se partilhava uma brincadeira e já se era cúmplice.
Desfaz-se em vontades, em retratos...
O que restará sempre é a mesma noite, o mesmo copo, a mesma sede.
Num fim de festa, todos saberemos quem somos, mas por vezes mais vale nem lembrar...e perdemo-nos noutro sonho.
Quase que fomos o que queriamos.
Quase que somos o que queremos.
Quase que fugiamos mas voltamos.
Tudo se tem de abraçar e agarrar, vamos aprender a existir, a ver o sol nasçer.
Identidade
"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes...tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Tu até me pode empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
-E dai? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não quero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir o meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés do chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre."
Tu até me pode empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
-E dai? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não quero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir o meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés do chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre."
Ontem a noite pus-me a reflectir
Ontem a noite pus-me a reflectir, em coisas da vida, em vez de dormir.
Nada me apoquentava, sentia-me bem e sentia todo o sentido que a vida tinha (e tão raro que é).
Ouvia o mar a bater, o vento e o fado.
Não fingia nada, não fingia que amava pouco se em mim tudo amava.
Não precisava de recuar um passo atrás para dar um em frente.
Tive um espasmo, um espasmo de espanto, fiquei sem sentidos, pois descobri que o mundo era meu, o tempo era extenso, imparável, mas eu podia dita-lo.
Dei um passo, e andei para a frente,
Só não via tão claro o sentido que davam a vida, a complicação que faziam, a complicação que era, quando tudo podia ser simples. Uma ousadia sem medos. Não percebia o porque de interrogações excessivas.
Morri um pouco, devagar...ressuscitei, nasci outra vez e revivi.
Por pouco que tudo tinha perdido toda a graça, e estava a compreender o que não queria.
Se não fosse ter descoberto o amor e o refúgio, se não fosse isso, não vivia sonhos acordada.
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado.
Agora que adormeci posso acordar.
Adeus amor que cresci.
Nada me apoquentava, sentia-me bem e sentia todo o sentido que a vida tinha (e tão raro que é).
Ouvia o mar a bater, o vento e o fado.
Não fingia nada, não fingia que amava pouco se em mim tudo amava.
Não precisava de recuar um passo atrás para dar um em frente.
Tive um espasmo, um espasmo de espanto, fiquei sem sentidos, pois descobri que o mundo era meu, o tempo era extenso, imparável, mas eu podia dita-lo.
Dei um passo, e andei para a frente,
Só não via tão claro o sentido que davam a vida, a complicação que faziam, a complicação que era, quando tudo podia ser simples. Uma ousadia sem medos. Não percebia o porque de interrogações excessivas.
Morri um pouco, devagar...ressuscitei, nasci outra vez e revivi.
Por pouco que tudo tinha perdido toda a graça, e estava a compreender o que não queria.
Se não fosse ter descoberto o amor e o refúgio, se não fosse isso, não vivia sonhos acordada.
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado.
Agora que adormeci posso acordar.
Adeus amor que cresci.
Escrever
Hoje quero escrever, mas não tenho pelo que escrever.
Hoje quero dormir, quero que não falem comigo, preciso da minha solidão.
É na minha solidão que me encontro.
Sim, encontro-me.
O meu cantinho, onde me resguardo e me protejo é como uma bola de sabão, vai longe, flutua, brilha, mas por vezes...rebenta.
Quero escrever, procuro palavras difíceis, linguagem transcendente e a melhor construção frásica, mas tudo o que quero escrever tenho no ouvido.
Quero escrever, quero o melhor tema, a mais correcta abordagem mas na verdade é que hoje acredito em todos os dogmas e vejo-me a transpor todas as regras.
Tento imaginar o que escreveria, mas o meu coração fica acelerado, cansado e exausto só para seguir a imaginação.
Hoje já não escrevo porque tenho tudo já nas vozes do meu sonho, um sonho amparado.
Hoje quero dormir, quero que não falem comigo, preciso da minha solidão.
É na minha solidão que me encontro.
Sim, encontro-me.
O meu cantinho, onde me resguardo e me protejo é como uma bola de sabão, vai longe, flutua, brilha, mas por vezes...rebenta.
Quero escrever, procuro palavras difíceis, linguagem transcendente e a melhor construção frásica, mas tudo o que quero escrever tenho no ouvido.
Quero escrever, quero o melhor tema, a mais correcta abordagem mas na verdade é que hoje acredito em todos os dogmas e vejo-me a transpor todas as regras.
Tento imaginar o que escreveria, mas o meu coração fica acelerado, cansado e exausto só para seguir a imaginação.
Hoje já não escrevo porque tenho tudo já nas vozes do meu sonho, um sonho amparado.
Um devaneio teu
Sabes de que me lembrei?
De um devaneio teu. Devaneio num dia em que me olhaste com ternura mas com um olhar firme. Eu senti-te diferente, acanhado, até envergonhado. Passados breves segundos percebi que ias dizer algo relacionado com os teus sentimentos, algo que por muito que possa parecer banal eu sei o quão difícil para ti é, e sempre foi, falar de dentro. Mas nesse momento fizeste-me a confissão mais bonita e simples. Foi uma simplicidade fascinante, quando muito se quer dizer, muito de fantasia e pouco se diz. Eu assim vi-te a alma, transparente e aberta.
"Sabes, sempre fui uma pessoa que passava bem sem afectos, nunca senti saudades de ninguém, mas agora preciso de ti, fizeste-me sentir falta de alguém"...
Encolhi-me, peguei no teu rosto, encostei-o ao meu peito. Eu que muito falo, fiquei sem que dizer.
Para mim foi muito mais do que as palavras palavra-a-palavra, sei que te rasgaste do mais fundo que há em ti...
E não mais me esqueci.
De um devaneio teu. Devaneio num dia em que me olhaste com ternura mas com um olhar firme. Eu senti-te diferente, acanhado, até envergonhado. Passados breves segundos percebi que ias dizer algo relacionado com os teus sentimentos, algo que por muito que possa parecer banal eu sei o quão difícil para ti é, e sempre foi, falar de dentro. Mas nesse momento fizeste-me a confissão mais bonita e simples. Foi uma simplicidade fascinante, quando muito se quer dizer, muito de fantasia e pouco se diz. Eu assim vi-te a alma, transparente e aberta.
"Sabes, sempre fui uma pessoa que passava bem sem afectos, nunca senti saudades de ninguém, mas agora preciso de ti, fizeste-me sentir falta de alguém"...
Encolhi-me, peguei no teu rosto, encostei-o ao meu peito. Eu que muito falo, fiquei sem que dizer.
Para mim foi muito mais do que as palavras palavra-a-palavra, sei que te rasgaste do mais fundo que há em ti...
E não mais me esqueci.
Devolve-me a minha vida
Devolve-me a minha vida, que não sei o que fazer sem ela.
Devolve-me o riso, as gargalhadas puras de crianças, a doçura dos chupas que insistíamos levar para as aulas, as receitas experimentais na cozinha, o gozo dos almoços no sitio habitual, na mesa habitual.
Devolve-me o friozinho no estômago na hora do mini-teste, o empolgar com as novidades que experimentávamos, as parvoíces próprias da idade.
Devolve-me a futilidade das tardes roubadas ao trabalho e passadas entre amigas, entre "passeios" pelas lojas, entrar e sair dos vestiários (um número acima,um número abaixo,esta camisola tem a tua cara e esta tem a dela).
Devolve-me aconchego da noite, que sempre atravessávamos com longas conversas às escuras deitadas.
Devolve-me as músicas que me faziam feliz, a voz redonda e cheia com que as cantava pela janela do quarto, sentada junto ao mar, no banco verde da escola ou até no pombal.
O prazer das manhãs deitada na cama e vontade de ler um livro durante a noite, um livro vulgar e lamechas até mais não.
Devolve-me o prazer do silêncio e do telemóvel desligado.
Devolve-me a capacidade de rir até de manha ouvindo piadas sem piada abrilhantadas por piadas privadas atiradas ao ar.
Devolve-me as noites pacificadas no enrosco de um abraço e o gozo de ver um filme de terror.
A sede de saber as cusquices do dia, da semana e de escrever no diário, diário aberto.
Quero os choros, intrigas sem sentido, as "picuices" e os argumentos sem nexo.
Devolve-me, que as pessoas já falam e comentam e reparam no invólucro de mim que sobrevive rasteiro, e toma (leva contigo), o medo que tenho no peito, que nada se repita e tudo se perca.
Fica comigo a vontade de crer as canções, as conversas, os risos e todos os sons que a felicidade possa ter.
Devolve-me a minha vida, que não sei o que fazer sem ela.
Devolve-me o riso, as gargalhadas puras de crianças, a doçura dos chupas que insistíamos levar para as aulas, as receitas experimentais na cozinha, o gozo dos almoços no sitio habitual, na mesa habitual.
Devolve-me o friozinho no estômago na hora do mini-teste, o empolgar com as novidades que experimentávamos, as parvoíces próprias da idade.
Devolve-me a futilidade das tardes roubadas ao trabalho e passadas entre amigas, entre "passeios" pelas lojas, entrar e sair dos vestiários (um número acima,um número abaixo,esta camisola tem a tua cara e esta tem a dela).
Devolve-me aconchego da noite, que sempre atravessávamos com longas conversas às escuras deitadas.
Devolve-me as músicas que me faziam feliz, a voz redonda e cheia com que as cantava pela janela do quarto, sentada junto ao mar, no banco verde da escola ou até no pombal.
O prazer das manhãs deitada na cama e vontade de ler um livro durante a noite, um livro vulgar e lamechas até mais não.
Devolve-me o prazer do silêncio e do telemóvel desligado.
Devolve-me a capacidade de rir até de manha ouvindo piadas sem piada abrilhantadas por piadas privadas atiradas ao ar.
Devolve-me as noites pacificadas no enrosco de um abraço e o gozo de ver um filme de terror.
A sede de saber as cusquices do dia, da semana e de escrever no diário, diário aberto.
Quero os choros, intrigas sem sentido, as "picuices" e os argumentos sem nexo.
Devolve-me, que as pessoas já falam e comentam e reparam no invólucro de mim que sobrevive rasteiro, e toma (leva contigo), o medo que tenho no peito, que nada se repita e tudo se perca.
Fica comigo a vontade de crer as canções, as conversas, os risos e todos os sons que a felicidade possa ter.
Devolve-me a minha vida, que não sei o que fazer sem ela.
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