Valores(?)

Será que os valores presentes e incutidos nas pessoas mudaram? Ou sou eu que ando confusa e não acompanhei a mudança? É geral?
Agora mentir...é trivial (é como uma problema matemático em que obtemos uma solução trivial que de trivial não costuma ter nada).
Banalizamos o razoável por pequenas e meras coisas...mas quem mente, mente, seja por algo insignificante ou por algo grandioso.
E dizem-me "habitua-te que ao longo da tua vida, as pessoas vão ser assim contigo, já não existe verdade".
Se é assim é, eu vou-me habituar. Não há melhor maneira que ir batendo com a cabeça.
E é assim o novo mundo sem valores.

Quem sabe

Quem sabe eu vos quero bem, quem sabe eu não sou ninguém, quem sabe eu não sou quem queria ser, quem sabe eu nunca o vou saber, quem sabe eu sou bem melhor...
Quem sabe o medo é a minha cruz, quem sabe o medo é a minha luz...
Quem sabe eu não estou só a tentar desesperadamente uma razão para não seguir e parar...pois tudo se passa e eu a ver.
Todos nós somos actores de cinema, tens de mudar, tens de o fazer. Quero um tempo sem mentiras, sim eu sei, a verdade é como o sol e pode cegar.
Talvez por isso algo em mim me impede de amar o sol

Faz falta a chuva o frio o vento e em tempo assim, vale ouro o teu calor.
Tenho medo de cedo anoitecer, tenho frio e temo não o ter.
O que interessa o bem sem passar o mal, o que interessa esconder o mal.
Mas que um salto de um sapato gasto eu sinto que é o fim.

E o que eu queria mesmo era sair sem olhar para trás: bato a porta e é só para avisar "não sei quando volto"...mas nem da cama sai.
Mas quem sabe se um dia acaba aqui.

Ponto de equilibrio

Porque é que eu mudo?
Sinto tanto a fugir de mim...
Para onde foi a minha espontaneidade? e a frontalidade?
Queria escrever, opinar, falar, mas só sinto que não devo e sinto todas as possíveis barreiras. Não queria ser comedida em nada, queria definitivamente ser diferente.
Hoje sinto, penso, amo, odeio, tudo até a exaustão.
Mas não posso...porque já não sou como queria.

As tradiçoes

A época natalícia ainda agora acabou e já me apetecia sentir o cheiro da consoada de novo. O dia passado entre risadas e brincadeiras familiares...
Todos à molhada dentro da cozinha, o dia é passado a fazer os docinhos (todos típicos)...a lambuzarmos-nos, a ver quem fica com a colher de pau para lamber ou com o tupperware, e a reclamar para não se usar o Salazar para ficar mais restinhos.
Gosto de repetir todos os anos os mesmos hábitos, o decorar da árvore, o presépio, o musgo...o abrir das prendas todos a meia-noite.
O dia onde os cepos de lenha são enormes e a luz da lareira ilumina e aquece de uma forma tão acolhedora.
E é assim, há épocas que valem pela vida.

O tempo desfaz-se

O tempo desfaz-se em vontades, em rotinas, em projectos, em verdades, em mentiras...
O tempo desfaz-se em sentimentos, em afectos, em desgostos. Desgostos silenciosos que se alastram, e andam de mão dada sem se falarem.
Já não somos o que queríamos, já não sou o que queria.
O tempo desfez a espontaneidade que é a moda enquanto crianças.
Desfez em pedaços, em lágrimas, em sorrisos em fugas e regressos.
A verdade, a confiança fugiu, as exigências não são as de criança.
Não são tão triviais como quando se partilhava uma brincadeira e já se era cúmplice.
Desfaz-se em vontades, em retratos...
O que restará sempre é a mesma noite, o mesmo copo, a mesma sede.
Num fim de festa, todos saberemos quem somos, mas por vezes mais vale nem lembrar...e perdemo-nos noutro sonho.
Quase que fomos o que queriamos.
Quase que somos o que queremos.
Quase que fugiamos mas voltamos.
Tudo se tem de abraçar e agarrar, vamos aprender a existir, a ver o sol nasçer.

Identidade

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes...tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Tu até me pode empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
-E dai? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não quero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir o meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés do chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre."

Ontem a noite pus-me a reflectir

Ontem a noite pus-me a reflectir, em coisas da vida, em vez de dormir.
Nada me apoquentava, sentia-me bem e sentia todo o sentido que a vida tinha (e tão raro que é).
Ouvia o mar a bater, o vento e o fado.
Não fingia nada, não fingia que amava pouco se em mim tudo amava.
Não precisava de recuar um passo atrás para dar um em frente.
Tive um espasmo, um espasmo de espanto, fiquei sem sentidos, pois descobri que o mundo era meu, o tempo era extenso, imparável, mas eu podia dita-lo.
Dei um passo, e andei para a frente,
Só não via tão claro o sentido que davam a vida, a complicação que faziam, a complicação que era, quando tudo podia ser simples. Uma ousadia sem medos. Não percebia o porque de interrogações excessivas.
Morri um pouco, devagar...ressuscitei, nasci outra vez e revivi.
Por pouco que tudo tinha perdido toda a graça, e estava a compreender o que não queria.
Se não fosse ter descoberto o amor e o refúgio, se não fosse isso, não vivia sonhos acordada.
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado.
Agora que adormeci posso acordar.

Adeus amor que cresci.